terça-feira, 28 de maio de 2013

Drummond






















José


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão 
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Carlos Drummond de Andrade

Para refletir...


Para sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento. 

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 26 de maio de 2013

Resumo simplificado das escolas literárias

Trovadorismo: Escola literária existente na época da Idade Média, baseava-se em cantigas preparadas para divertir o povo e a nobreza. Teve forte influência da Igreja Católica, já que era ela quem controlava as expressões artísticas e culturais da época.

Humanismo: Foi um movimento cultural que, além do estudo e da imitação dos autores greco-latinos, fez do homem objeto de conhecimento, reivindicando para ele uma posição de importância no contexto do universo, sem, contudo, negar o valor supremo de Deus.

Classicismo: Foi o movimento literário que resgatou os valores e as culturas greco-latinos de forma mais intensa,  exalta sua nação ao invés da mitologia antiga como faziam os clássicos, o poeta Camões, através da obra Lusíadas relatou a História de Portugal contando  histórias dos bravos guerreiros.

Barroco: Foi um movimento literário da Contrarreforma, ou seja, da transformação da Igreja Católica, em detrimento da Protestante. Os autores barrocos expressam o conflito interno que as pessoas viviam na época, os principais foram: Gregório de Matos e Padre Antônio Vieira.

Arcadismo:  Foi um movimento resultado de uma reação antibarroca, surgindo nos finais do Século XVIII. Retomou algumas características literárias do Classicismo, como o equilíbrio e a racionalidade, ficando também conhecida como Neoclassicismo.

Romantismo:  Foi o movimento da expressão burguesa nas artes, nas ciências e na cultura. Defendendo a liberdade de expressão, inspirado na frase célebre da Revolução francesa "Liberdade, igualdade e fraternidade".

Realismo:  É uma reação contra o romantismo: o romantismo era a apoteose do sentimento; o Realismo é anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que pinta a nossos próprios olhos - para condenar o que houver na nossa sociedade". Eça de Queiroz.

Naturalismo:  Pode ser considerado como um realismo mais radical, pois também utilizava a literatura para descrever a realidade, porém com a diferença de se munir de teorias científicas poderosíssimas para constituir seu ponto de vista em relação ao mundo: o materialismo e o determinismo.

Parnasianismo:  Foi a escola literária que consagrou o labor do poeta. Foi este movimento que retornou ao clássico, buscando sempre a perfeição poética e estética em suas obras. Refletiu bastante através da poesia sobre o próprio ato poético. Além de caracterizar-se por um exagero nas formas de seus sonetos.

Simbolismo: O que mais caracterizou essa escola  foi o seu misticismo. Os poetas simbolistas não tentavam fazer poesias compreensíveis, pois eles queriam que os leitores se sensibilizassem para a construção poética, por isso utilizavam muitos símbolos, metáforas, linguagem figurada que sugerissem sensações aos leitores.

Pré-Modernismo:  "Atualmente, nessa hora de tristes apreensões para o mundo inteiro, não devemos deixar de pregar, seja como for, o ideal de fraternidade e de justiça entre os homens e um sincero entendimento entre eles. E o destino da literatura é tornar sensível, assimilável, vulgar, esse grande ideal de pouco a todos, para que ela cumpra ainda uma vez a sua missão." Lima Barreto.


Modernismo:  Foi um movimento que buscou arrancar-se das correntes estéticas do parnasianismo. Os autores modernistas refutavam tudo o que era antigo para construir uma nova poética, livre de qualquer tipo de regras. Teve forte influência das Vanguardas europeias, que eram movimentos artísticos que se iniciaram na Europa e se espalharam pelo mundo declarando seu amor estético pela liberdade.

Linha do Tempo

Iniciando nosso objetivo principal que é trabalhar com a literatura de uma forma simples e clara. Abaixo vemos a linha do tempo da literatura brasileira e portuguesa.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Viver é maravilhoso e temos que aproveitar todas as oportunidades que surgirem intensamente...

Estudar, aprender, reaprender é fundamental para quem quer chegar em algum lugar. O estudo engrandece o homem, faz com que ele aprenda a enxergar o mundo com outros olhos. Que olhos? O real, o da imaginação, ver a fantasia, a realidade. 
Vale a pena persistir... uma boa leitura, um estudo bem feito, palavras bem escritas, bem faladas fazem toda a diferença!!!!



A vida é perfeita e a literatura nos mostra isso de várias formas...



"Chorou muito? Foi a limpeza da alma. Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las. Acreditou que tudo estava perdido? Era o início da tua melhora."


 Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Vida linda, cheia de graça, de encanto, de beleza...obrigada pelo meu respirar, pelo pensar, pelo sentir, imaginar, meu agir. Viver é sensacional, ter uma família, amigos, colegas, um trabalho, coisas com que se preocupar... tudo faz parte do que chamamos vida, altos e baixos, choros e risos. Como diz a música "viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz. Eu sei que a vida podia ser melhor e será, mas isso não impede que eu repita é BONITA, é BONITA e é BONITA!!!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Meu Brasil... uma poesia

Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 
 

De Primeiros cantos (1847)